A poesia Disneylândia, de Jorge Drexler dá margem a várias interpretações, tanto positivas, quanto negativas e a verdade é que como toda produção artística, somente o próprio autor pode definir com exatidão a intenção que teve ao realizar a obra. A primeira alternativa (positiva) é a efetivação do sonho da “Aldeia Global” de Marshall Mcluhan. No poema fica bem claro que há muito o “sonho visionário” de Maclulan é uma realidade.
Logo no início Jorge Drexler diz que filho de imigrantes russos, casado na Argentina com uma pintora judia,casa-se pela segunda vez com uma princesa africana no México. Nesse trecho ele deixa bem claro que o mundo é uma “aldeia”. Em outro trecho diz que multinacional japonesa instala empresa em Hong Kong e produz, com matéria prima brasileira para competir no mercado americano.....
Às vezes deixa também a impressão tratar-se de crítica velada ao falso progresso. O poema relata situações “esdrúxulas”, em que uma relação social de bigamia é encarada com naturalidade e que vivemos no paraíso, em que tudo é aceitável. Aparentemente são abordados aspectos positivos da relação global, mas no fechamento do poema, é desferida crítica mordaz aos Estados unidos, devido ao fato de pregarem aspectos positivos da Globalização, mas não permitem a entrada de garotos (o fato de serem garotos iraquianos não é por acaso) iraquianos na Disneylândia. Com a proibição os Estados Unidos corroboram a crítica feita pelo geógrafo Milton Santos, quando afirma que da maneira que as potências agem, não existe Globalização, mas sim, “Globalitarismo”, que nada mais é, que a globalização com autoritarismo.
Edelson de Assis
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